Cágado Pescoço de Cobra

Cágado - Tartarugas AVPH

    O Cágado pescoço de cobra é uma das espécies de quelônios mais fascinantes da América do Sul. Pertencente a a família Chelidae que abrange diversos exemplares de "pescoços compridos" que habitam a parte sul do planeta ( América do Sul e Oceania ).
Este espécie é comumente encontrada no sul e sudeste do Brasil, Uruguai, nordeste da Argentina e leste do Paraguai, entre temperaturas ambientes de 10 a 35 ºC e a temperatura da água variando entre 15 a 25 ºC.
      A limentação em cativeiro pode ser a base de carne bovina, peixes, minhocas e complementos a base de cálcio. Sendo 5 vezes por semana na primavera e verão ( meses quentes ) e 3 vezes por semana no outono e inverno ( meses frios ) .
Ocorrem também em populações isoladas em vicinitis sudoeste de Codoba e noroeste de Santiago de Estero. (Na foto acima vemos um belo exemplar fêmea).

      O cágado pescoço de cobra, também conhecido como cágado de pescoço de cobra argentino é similar a espécie de mesmo genero cágado pescoço de cobra brasileiro ou cágado pescoço de cobra maximialian (Hydromedusa maximiliani), os dois são facilmente distinguíveis, pois a Hydromedusa tectifera atinge tamanho maiores, próximos de 30 cm ( Fêmeas), enquanto a Hydromedusa maximiliani não ultrapassa 20 cm ( Fêmeas ). A coloração também apresenta diferenças marcantes, com a Hydromedusa tectifera apresentando colorações mais escuras tanto na carapaça, quanto no plastrão.
      O genero Hydromedusa é caracterizado por um pescoço extremamente comprido, quando comparado ao tamanho da carapaça e a dobra do pescoço lateralmente para proteção. Ele se distingui dos cágados Australianos que pertencem ao genero Chelodina por uma placa nucal (the nuchal scute is pushed back completely behind the marginal scutes into the row of vertebral scutes. Also, an intergular scute completely separates the gulars). A Hydromedusa tectifera foi descrita em 1869 por Cope.
      A Hydromedusa tectifera possuí a carapaça com placas costais apresentando picos ou piramidismo (placas em formato de pirâmide), seu pescoço possuí uma lista longitudinal preta que contrasta com a parte clara inferior, sendo comprido para facilitar a caçada de peixes pequenos e rápidos, anfíbios, minhocas, caracóis e insetos aquáticos, o pescoço é também utilizado como uma espécie de snorkel, possibilitando ao animal a respiração em locais de média profundidade sem o respectivo deslocamento do corpo.

      A manutenção em cativeiro desta espécie é recomendada para criadores mais experientes, pois esta espécie é um pouco delicada e tímida, sendo também dificil aceitar rações comerciais como base alimentar, exigindo muitas vezes inicialmente alimentos vivos e recinto tranquilos com pouca movimentação de pessoas, bastante plantas aquáticas e tocas. Somente após 2 a 3 meses de adaptação ao novo recinto é que começam a aceitar rações comerciais para tartarugas aquáticas, rações para gato ( por conterem bastante proteína de origem animal ) e rações para cães, principalmente quando essas rações tem formato de pequenos vermes.

      Nesta espécie de quelônio não é comum sair da água para "tomar sol", facilitando assim a formação de algas na carapaça, necessitando as vezes de limpeza.
      Para iniciar um criação em cativeiro recomenda-se a utilização de 2 machos e 3 fêmea, pois são animais pacíficos que se adaptam bem a vida em grandes grupos. A temperatura deve ser mantida acima de 16 ºC para os animais não hibernarem, fato este que pode ser considerado normal na natureza, mas não em cativeiro, onde o animal não tem a opção de buscar um novo "lar" quando o extinto lhe solicita. Utilizando-se de aquecedores consegue-se manter o recinto em temperaturas adequadas, porém deve-se ter o cuidado de não exceder os 29 ºC.
      Animais coletados na natureza geralmente apresentam parasitas, estes são facilmente removidos com 3 a 4 tratamentos de Panacur®, porém este tratamento deve ser feito apenas depois de o animal estar se alimentando bem e acostumado ao novo ambiente. Porém este não é o melhor meio de se obter este animal extremamente tímido, pois na maioria das vezes o animal não se adapta e acaba morrendo. O ideal é sempre adquirir animais de criadouros autorizados, com certificados de procedência. Sua pele é bem delicada e por isso deve-se evitar objetos com pontas afiadas no interior do recinto, impendindo assim que o animal sofra escoriações.
      Sua manutenção adequanda exige água limpa, de preferencia filtrada, com baixo pH ( entre 5,0 e 5,5 ), pois caso o contrário pode causar shell rot e problemas respiratórios, os quais pode-se utilizar Baytril® e Floxin® para casos mais severos. ( Lembrando que o recomendado é sempre procurar um veterinário, dando preferência para os especialistas em répteis, animais silvestres ou melhor ainda em quelônios). Sendo uma das principais doenças que atacam essa espécie em cativeiro a podridão da carapaça, gerada por condições abaixo do padrão sendo fornecidas ao animal, como qualidade ruim da água, falta de nutrientes essenciais e falta de luminosidade.
      As fêmeas são maiores que os machos, pois fêmeas maiores tendem a obter maior sucesso reprodutivo, podendo alcançar 30,6 cm e iniciando a reprodução apartir dos 20,6 cm, pesando em média cerca de 1,5 kg, mas podendo chegar aos 3 kg. Os machos não ultrapassam os 28,4 cm, pesando em média 1 kg e podendo chegar aos 2 kg, possuem caudas mais compridas e largas que as das fêmeas, profundo entalhe anal, com abertura cloacal mais distante do plastrão e uma concavidade entre os escudos umerais e anais do plastrão, pois essas características favorecem durante o acasalamento.


Macho                                            Fêmea

      As desovas ocorrem durante a primavera e o verão ( entre os meses de Outubro a Abril com cerca de 75% das desovas ocorrendo entre Novembro e Janeiro ) e são compostas por 5 a 15 ovos por postura, no caso de fêmeas grandes e saudáveis, duas posturas por temporada se mostra comum. Os ovos medem entre 3,3 a 4,8 cm de comprimento e de 2,2 a 3,1 cm de largura, pesando entre 10 a 23 gramas. O período de incubação varia entre 80 a 130 dias, com um maior número de eclosões ocorrendo entre Fevereiro e Abril. Os recém nascidos medem cerca de 3,00 a 4,30 cm e pesam entre 6 a 12 gramas. Ao nascerem apresentam ovoruptor e saco vitelínico não totalmente absorvidos. A temperatura de incubação pode variar entre 25 a 30 ºC. Nos ovos fertilizados ocorre o desenvolvimento de manchas brancas na casca do ovo.
      Normalmente dois tipos de nidificação são observados, um tipo possuí covas rasas com profundidades próximas de 12 cm, sem camaras de incubação, com ovos superficiais e parcialmente enterrados, que ocorrem em regiões de matas densas, com pouca incidência direta de luz solar e outro tipo que possuí covas fundas com profundidades próximas de 18 cm, com camaras de incubação e com ovos completamente enterrados, que ocorrem em áreas abertas, regiões com formação de praias e grande incidência de raios solares.

      Para os recém nascidos devem ser oferecidos alem das rações para tartarugas baby e carne de peixes e bovina, alimentos vivos como peixes pequenos, larvas de insetos e pequenas minhocas.

      O método de caça das Hydromedusas é fascinante, pois elas utilizam uma combinação sucção de água para dentro da boca com bote veloz do pescoço comprido, se mostrando um eficiente método de captura, principalmente em locais com poucas saídas. Sua mordida não se mostra perigosa ao manuseio, causando apenas ferimentos leves, como abrasões na pele, que no caso de animais selvagens podem provocar inflamações.
      O espaço necessário para acomodar um casal adulto de Hydromedusas seria em torno de uns 280 a 380 litros.


Dados do Quelônio:
Nome: Cágado Pescoço de cobra, Cágado pescoço de cobra argentino, Cágado de pescoço comprido.
Nome Científico: Hydromedusa tectifera
Época: Holoceno
Local onde Vive: América do Sul
Peso: Cerca de 3 quilos
Tamanho:  20 centímetro de comprimento
Alimentação: Onívora

Reino: Animalia
Filo: Cordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Reptilia
Subclasse: Anapsida
Ordem: Testudines
Família: Chelidae
Gênero: Hydromedusa
Espécie: Hydromedusa tectifera, (Cope, 1968)


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