Tartaruga Gigante de Galápagos

 

   As Tartarugas Gigantes de Galápagos são as maiores tartarugas terrestres que existem atualmente, são conhecidas diversas subespécies, cada uma com suas características únicas e para melhor conhecê-las, nada melhor do que visualizarmos primeiramente o mapa do Arquipélago de Galápagos visto por satélite.

    Existiam 14 ou 15 subespécies de Tartaruga Gigante de Galápagos antes da descoberta das Ilhas pelo homem, hoje em dia somente 10 subespécies sobreviveram. Os grandes vilões dessa história são os marinheiros de navios caçadores de baleias e pescadores, que ao passarem pelas ilhas formavam estoques enormes de tartarugas, pois elas garantiam grandes estoques de comida e por um longo período de tempo, pois as tartarugas gigantes poderiam sobreviver por mais de um ano dentro de navios sem comida e sem água (as tartarugas ao se banharem podem absorver cerca de 15% de seu peso em água). Geralmente eram levadas primeiramente as fêmeas, pois elas são menores que os machos e podiam ser encontradas com maior freqüência próximas as costas durante as temporadas de desova. Até Charles Darwin chegou a comer algumas Tartarugas Gigantes.

    O golpe final que extinguiu diversa das subespécies foi a inclusão de mamíferos nas Ilhas de Galápagos, propositalmente foram adicionadas cabras nas ilhas nos anos de 1950 como fonte de alimento alternativa para os marinheiros, esta tornaram concorrentes diretas das tartarugas, pois se alimentavam das mesmas plantas e como a população de cabras cresceu rapidamente, ocorreu uma destruição da vegetação e uma grande erosão nos solos. Outro fator crucial foi a inclusão de ratos nas ilhas, que fugiram de navios ancorados, eles começaram a atacar os ovos de tartarugas diminuindo a taxa de natalidade e dificultando ainda mais a sobrevivência das Tartarugas Gigantes de Galápagos recém nascidas.

    O Parque Nacional de Galápagos e a Fundação Charles Darwin foram criados em 1959 e desde de 1965 vem conseguindo recuperar com seus programas a população de Tartarugas Gigantes de Galápagos. Onde os ovos são incubados artificialmente e as tartaruguinhas são criadas até atingirem 20 centímetros de comprimento de carapaça, na qual já podem ser soltas em suas ilhas de origem e as vegetações das ilhas estão sendo recuperadas para suportar novamente uma grande população. Até hoje aproximadamente 2500 tartaruguinhas já foram soltas em suas ilhas de origem.


    Existem basicamente dois tipos de carapaças uma chamada de carapaça de sela, pois possuí formato de sela de cavalo, o qual facilita que o pescoço da tartaruga atinja locais altos e sua ocorrência é mais comum em ambientes ( Ilhas ) mais secos e a carapaça em formato de domo, mais redondo, que ocorre em ambientes ( Ilhas ) bem úmidas.
Casco em formato de sela                                   Casco em formato de domo
                    

   O mantenimento em cativeiro, embora não recomendado fora de zoológicos por serem animais de grande porte, próximo da extinção e de exigir diversos cuidados, deve apresentar um cercado bem robusto com cerca de 1 a 1,2 metros de altura, para resistir as fortes investidas desses animais que pode chegar a pesar 300 kg. O recinto deve ser ao ar livre e de grande tamanho, cerca de 300 m² por exemplar adulto, deve receber grande quantidade de luz solar e possuir bastante arbustos comestíveis e árvores de grande porte para prover sobra aos animais, sendo indispensável um tanque com cerca de 0,5 a 1,0 metros de profundidade, com rampas de pouca angulação (máx. 30º) para permitir o acesso a banhos, o recinto deve também possuir um abrigo aquecido para evitar que os animais hibernem nos meses de inverno.

   Sua alimentação é basicamente onívora, pois em ilhas remotas como as de Galápagos, os animais não se podem dar ao luxo de escolherem os alimentos. Se alimentam de ervas, ramos, frutos, cactos, restos de animais mortos e até excrementos. Em cativeiro deve-se ter o cuidado de fornecer uma dieta rica em fibras, para se evitar problemas intestinais, como por exemplo figos da índia (frutos e palmas), Opuntia arborea e Opuntia autoctona, além de hortaliças, pasto, feno, dentes leão, frutas como melão, melancia, maçãs, peras, jabuticabas, amoras, etc. Não deve faltar também uma parcela de proteínas, que pode ser a base de carne moída com pouco teor de gorduras.


   O acasalamento ocorre quase sempre nas épocas de chuva. os machos que são bem maiores que as fêmeas e são muito persistentes ao corteja-las, perseguindo-a onde quer que ela vá. As vezes dando a volta em tornos dela e mordendo suas patas. Quando a fêmea para e se esconde na carapaça em posição submissa, o macho inicia a montaria, subindo com suas patas dianteiras em cima da carapaça da fêmea. A cópula dura muito pouco tempo, para evitar o risco de esmagamento das fêmeas. Durante a cópula o macho emite fortes ruídos que podem ser ouvidos a enormes distâncias.

   As fêmeas costumam desovar de 4 a 10 ovos em áreas limpas, ensolaradas e com pouca inclinação. Os ovos são esféricos e medem cerca de 6 centímetros de diâmetro, o tempo de incubação varia entre 80 a 200 dias dependendo da temperatura e da quantidade de chuvas.

   As subespécies de Tartarugas gigantes de Galápagos são:

   A Chelonoidis nigra abingdoni (Günther, 1877) ou Tartaruga Gigante de Pinta ou Abingdon, habitavam a Ilha Pinta. A espécie foi nomeada com o nome de sua ilha, que também é conhecida como Abingdon Island. O último exemplar dessa subespécie, denominado de George (Lonesome George, "O Solitário George"), morreu no Parque Nacional Galápagos (DPNG) em 24/06/2012, pertencente a Estação de Pesquisa Científica Charles Darwin na Ilha de Santa Cruz, Arquipélago de Galápagos e tinha cerca de 100 anos de idade, pesava cerca de 100 Kg e media 106 centímetros de carapaça.George havia sido encontrado por um guardião do Parque Nacional, caçador de cabras, na Ilha de Pinta em 1971, esta foi considerada uma grande surpresa, pois essa subespécie era considerada extinta desde 1906.

   Desde então foi iniciada uma busca para encontrar uma parceira da mesma subespécie para George, porém não foi encontrada nenhuma na Ilha de Pinta, foram encontrados apenas 15 restos de tartarugas gigantes mortas a bastante tempo, ofereceu-se então uma recompensa de US$10.000,00 para quem encontrasse um outro exemplar. Foi então encontrado um exemplar ainda jovem, com poucos anos de vida na Ilha de Pinta, porém não se tem certeza da subespécie do mesmo. Então a solução encontrada foi colocar duas fêmeas da subespécie Chelonoidis nigra becki, as quais acreditavam ser as parentes mais próximas, por causa da proximidade geográfica das ilhas. Porém George não demonstrou muito interesse pelas fêmeas.

   Estudos atuais demonstraram que a subespécie geneticamente mais parecida com George é a Chelonoidis nigra hoodensis que habita a Ilha Espanhola, gerando então um projeto para colocar uma fêmea dessa subespécie junto com George e tentar a reprodução. As chances de reprodução dessa subespécie eram boas, pois George ainda tinha na época 90 anos de idade e isso para uma Tartaruga Gigante de Galápagos ainda representava uma meia vida, pois normalmente elas vivem cerca de 150 à 200 anos. Existem estudos para tentar clonar George, mas essa hipótese ainda é considerada distante.


   A Chelonoidis nigra becki (Rothschild, 1901) ou Tartaruga Gigante do Vulcão Wolf, habita o norte da Ilha Isabela, a norte e oeste do Vulcão Wolf. Foi nomeada em homenagem a Rollo Beck, ornitologista, coletor de pássaros e explorador americano. A estimativa para esta espécie é de que existam 1.150 indivíduos.

   Aparentemente 2 tipos morfológicos dessa subespécie ocorrem no Vulcão Wolf, uma de casco em forma de domo e outra com casco em forma de sela. A variedade com casco de sela possuí uma carapaça cinza que é relativamente grossa com pequeno recuo cervical (que caracteriza o formato de sela), as placas marginais são um pouco serrilhadas e o casco é estreitado. O formato selado é o mais suave de todas as outras subespécies de que possuem o formado de sela.

   Estudos recentes indicam que a variação dos formatos de casco é causada por uma hibridização com Tartarugas da Ilha de Floreana gerando 40 descendentes, essas Tartarugas gigantes da Ilha Floreana é considerada extinta desde 1850.

   A Chelonoidis nigra chathamensis (Van Denburgh, 1907) ou Tartaruga Gigante de São Cristobal ou Chatham habita a região nordeste da Ilha São Cristobal, que também é conhecida como Chatham Island, dando origem ao nome da subespécie. Elas foram intensamente exploradas e sua população foi eliminada em grande parte da sua escala original. Atualmente os programas de recuperação dessa subespécie apresentaram grande sucesso, conseguindo recuperar grande parte da população e repovoar a ilha original. Estimasse que existam cerca de 1500 a 1800 tartarugas gigantes dessa subespécie. Alguns ovos dessa subespécie estão sendo removidos da natureza para a realização de incubação artificial na Reserva Charles Darwin e posteriormente as tartaruguinhas estarão sendo devolvidas na ilha de origem.

   Elas possuem uma grande carapaça escura, com formato intermediário entre domo e sela, sendo os machos adultos com formato bastante selado e as fêmeas e jovens do sexo masculino com formatos mais domados, largas no meio e abobadados. Existia uma variação nessa subespécie que foi extinta, ela possuía o casco mais liso e ocorria em todas as regiões mais úmidas e mais altas da ilha. Essas parte foram justamente as mais alteradas pelo homem quando a ilha foi colonizada. Espécimes desta população extinta, podem ainda existir atualmente e estarem incluídas como C. n. chathamensis erroneamente.


   A Chelonoidis nigra darwini (Van Denburgh, 1907) ou Tartaruga Gigante de Santiago ou James habita a região centro-oeste da Ilha Santiago que também é conhecida como James Island, foi nomeada em homenagem a Charles Darwin. A carapaça possuí coloração cinza escuro e seu formato é intermediário entre sela e domo e as placas marginais da carapaça são levemente serrilhadas.

   Um grande número de tartarugas dessa subespécie foram retirados dessa ilha no início do século XIX por navios baleeiros. Os caprinos que foram introduzidos na ilha reduziram as planícies costeiras em desertos, restringindo as áreas habitáveis para as tartarugas apenas no interior. Essa alteração climática desequilibrou a razão sexual de nascimentos em favor de machos. Porcos também foram introduzidos na ilha posteriormente e mais ninhos e jovem começaram a ser massacrados.

   Em 1970 começaram a transportar ovos para a Estação de Pesquisa Charles Darwin para efetuar incubação artificial e a criação das tartaruguinhas até idade juvenil, para posterior soltura. Esse programa entre outras medidas de proteção dos ninhos, bem como a retirada dos invasores da ilha têm se mostrado bem sucedidos.

   Atualmente existem cerca de 1.165 indivíduos, com uma forte concentração na população masculina remanescente, fato este que impede uma recuperação rápida da população total. Seu exemplar mais famoso é a fêmea chamada Harriet, que faleceu em 2006 no Zoológico Australiano chamado Austrália Zoo. Provavelmente Harriet nasceu em novembro de 1830 (Seu aniversário é celebrado em 15 novembro), quando ela tinha 5 anos de idade foi capturada por Sir Charles Darwin em sua viagem no HMS Beagle e foi levada para a Inglaterra juntamente com outras 3 tartarugas gigantes para estudos científicos, Robert FitzRoy, o capitão, recolheu dois exemplares da ilha de Española, Darwin um de São Salvador e o seu empregado Syms Covington outro de Santa Maria. Duas delas morreram nos primeiros meses, em 1841, o naturalista ofereceu a sua tartaruga e a de Covington a John Wickham, um colega da viagem, que depois a doou ao Jardim Botânico de Brisbane City Botanic Gardens (na austrália) em 1842 , onde o clima era mais parecido com o seu local de origem (Arquipélago de Galápagos), em 1952 ela foi transferida para um santuário animal chamado Australia's Gold Coast.

    No começo da década de 1960 foi que finalmente descobriram que ele era ela, pois antes disso Harriet era chamada de Harry e se pensava que era um macho. As Tartarugas Gigantes de Galápagos demoram muitos anos para apresentarem dimorfismos sexuais (diferenciação entre os sexos). Finalmente em 1988 ela foi transferida para o Australia Zoo onde faleceu com seus 178 anos de idade e 180 quilos. Na época ela estava sendo considerada um dos animais mais velhos do mundo !

    Porém existem controvérsias sobre a "estória" dessa Tartaruga, com certeza sabe-se que o animal estava no Jardim Botânico de Brisbane em 1870. A partida para a Austrália de Wickham em 1841 é confusa, uma vez que os censos australianos mostram que este marinheiro já estava lá nesse ano. A história da vida de Wickham conta que ele só reviu Darwin após a viagem do Beagle numa reunião realizada em Londres em 1862. Contrariando assim a hipótese de Harriet ter sido o animal de estimação de Darwin. Através da correspondência de Robert FitzRoy, sabe-se que as tartarugas recolhidas pelo capitão do navio morreram pouco depois da chegada, não podendo se tratar de Harriet. Recentemente, foram realizados estudos do DNA mitocondrial de Harriet, que desacreditam mais ainda a sua ligação a Darwin. A análise genética mostra que Harriet pertencia à subespécie Chelonoidis nigra porteri, típica de Santa Cruz, uma ilha que Darwin e os seus companheiros não visitaram. Este estudo confirma, no entanto, que Harriet estava viva em 1835 e que pelo menos possuí 178 anos de vida.


   A Chelonoidis nigra duncanensis (Garman, 1817), tem como sinônimo ou Chelonoidis nigra ephippium Günther, 1875, devido o holotipo ser na verdade um C. n. abingdoni. É também conhecida como Tartaruga Gigante de Pinzón ou Duncan devido habitar o Sudoeste da Ilha Pinzón ou Duncan Island.

   Apesar de não terem sido devastadas por marinheiros de navios baleeiros como as outras subespécies, um número elevado de tartarugas foram removidas por expedições na segunda metade do século XIX e XX. E com a introdução de ratos pretos (Rattus rattus) e ratazanas Noruega (Rattus norvegicus)próximo do ano de 1900 sua população foi reduzida drasticamente a poucos indivíduos. Desde 1965 o programa de preservação da Estação de Pesquisa Charles Darwin iniciou a retirada de ovos da ilha original e os transportaram para a Estação para efetuar a incubação artificial e criação dos filhotes durante os primeiros meses de vida. Mais de 75% dos libertados entre 1970 e 1990 sobreviveram.

   São umas das menores subespécies das Tartarugas de Galápagos, raramente ultrapassando os 80 centímetros de comprimento. Sua carapaça é de coloração cinza, de formato oblongo, tendo apenas um recorte cervical bem suave. As placas marginais são ligeiramente serrilhadas. Sua população atualmente é cerca de 532 indivíduos, composto por 150 animais adultos e o resto de jovens introduzidos na ilha pelo programa de preservação da Estação Charles Darwin.


   A Chelonoidis nigra guntheri (Baur, 1889) ou Chelonoidis nigra elephatopus, foi nomeada em homenagem a Albert Günther, é também chamada de Tartaruga Gigante de Sierra Negra, devido habitar a Ilha Isabela, próximo aos Vulcões Sierra Negra (um grupo a leste e outro a oeste) e Cerro Azul.

   Esta subespécie foi dizimada pela colonização e exploração de óleo de tartaruga que continuou até a década de 1950. A reprodução selvagem foi bem sucedido no leste mas na zona oeste, os porcos, cães, ratos e gatos impediram a recuperação da população. Esta é uma das subespécies mais ameaçadas entre as existentes em galápagos. Apenas 20 adultos foram levados em cativeiro para um programa de reprodução em 1998, após a ameaça de uma erupção vulcânica no Vulcão Cerro Azul. Essa subespécie é intermediária entre as formas de casco de sela e de domo, com uma aparência distinta única. Estima-se que sua população atual seja próxima de 700 indivíduos, que juntamente com o auxílio do programa de preservação da Estação Charles Darwin vem se recuperando com grande rapidez.


   A Chelonoidis nigra hoodensis (Van Denburgh, 1907) ou Tartaruga Gigante de Espanhola ou Hood devido habitar a Ilha Espanhola ou Hood Island. Esta é uma das menores subespécies, sua carapaça é bem selada, possuindo um recuo cervical bem profundo e as placas marginais levemente serrilhadas. Podem chegar a medir pouco mais de 1 metro de comprimento de carapaça e pesar quase 100 quilogramas. Sua coloração é bem escura, quase preta.

   Esta subespécie esteve a beira da extinção no ano de 1970, quando restavam apenas 13 exemplares vivos, compostos de apenas 2 machos e 11 fêmeas. Elas foram fortemente exploradas por baleeiros, no século XIX e sua população desabou por volta do ano de 1850. Esses 13 indivíduos foram levados para o programa de reprodução da Estação de Pesquisa Charles Darwin. Um terceiro macho foi descoberto no Zoológico de San Diego e se juntou aos outros no programa de reprodução em cativeiro. Inicialmente os acasalamentos não estavam ocorrendo naturalmente, porém posteriormente o programa foi um sucesso, atualmente sendo propagando inclusive para a ilha original na natureza. Atualmente existem mais de 1.780 animais dessa subespécie.

   O terceiro macho de tartaruga gigante que se juntou ao grupo do programa de reprodução em cativeiro se chamava Diego e possuí uma história bem interessante, ele foi capturado na Ilha Espanola por expedicionários entre os anos de 1900 e 1930 e acabou no jardim zoológico de San Diego, na Califórnia. O zoológico de San Diego devolveu-o a Galápagos em 1975, pois os únicos outros exemplares conhecidos desta subespécie vivos eram apenas 2 machos e 12 fêmeas, deixando a subespécie a beira da extinção. Diego e as outras tartarugas foram colocados em um recinto bem elaborado no centro de criação do parque na Ilha Santa Cruz. Diego se tornou então dominante e agressivo, empurrando e mordendo outros machos, sua agressividade e territorialidade eram tão grande que atacava com mordidas até as pessoas (tratadores, veterinários, etc.) que entrassem em seu recinto, chegando ao ponto de ter que ser transferido, juntamente com cinco fêmeas, para não desperdiçar a oportunidade de procriação.

   Esta dominância de Diego se deve ao fato de ele ser o maior e mais velho macho do território. Ele possuí cerca de 110 anos de idade, 90 centímetros de comprimento e pesa em torno de 80 quilogramas. O lado bom desse comportamento de Diego foi a sua capacidade reprodutiva, quase a metade das 1700 tartaruguinhas nascidas nesse grupo do programa de reprodução, são filhas de Diego, tornando-o o maior responsável por salvar sua subespécie da extinção.


   A Chelonoidis nigra microphyes (Gunther, 1875) ou Tartaruga Gigante do Vulcão Darwin devido habitar a Ilha Isabela, a sul e oeste do Vulcão Darwin. Possuí uma coloração cinza acastanhada, sua carapaça é oval, sendo intermediária entre casco selado e domado, porém um pouco achatada.

   Essa subespécie foi fortemente explorada no século XIX por navios baleeiros, mas a recuperação através da reprodução selvagem foi bem sucedida. Sua população atual é estimada em aproximadamente 1000 indivíduos e seu crescimento populacional continua apresentando bons resultados.


   A Chelonoidis nigra porteri (Rothschild, 1903) ou Tartaruga Gigante de Santa Cruz devido habitar a região oeste da Ilha de Santa Cruz. São uma das maiores subespécies existentes em Galápagos, podendo ultrapassar facilmente os 1,10 metros e chegar a 1,30 metros de comprimento curvilíneo de carapaça. Sendo sua carapaça de formato de domo ovalada, mais elevada no centro do que na parte da frente e de coloração bem escura.

   Essa subespécie foi devastada devido a exploração pesada por óleo na década de 1930. O sucesso reprodutivo dessa subespécie foi severamente prejudicado durante muitos anos pela presença de cães e porcos selvagens, mas programas de reprodução em cativeiro obtiveram grande sucesso. Atualmente estima-se sua população em 3.391 indivíduos. Análises de DNA mitocondrial mostraram que existem 3 populações geneticamente distintas na ilha de Santa Cruz.


   A Chelonoidis nigra vandenburghi (de Sola, 1930) ou Tartaruga Gigante do Vulcão Alcedo devido habitar a região central da Ilha Isabela, próximo ao Vulcão Alcedo. Seu nome é em homenagem a John Van Denburgh. Sua carapaça é de formato de domo e possuí coloração bem escura.

   Essa é a subespécie de Tartaruga de Galápagos que possuí a maior população, sua reprodução na natureza foi um sucesso após o final da exploração, sendo estimada a existência de cerca de 10 mil animais e seu crescimento populacional continua apresentando bons resultados.


   A Chelonoidis nigra vicina (Günther, 1875) habita a Ilha Isabela, próximo aos Vulcões Cerro Azul e Sierra Negra. Sua carapaça é grossa e pesada, de formato intermediário entre sela e domo. Os machos são maiores e possuem carapaça de formato mais selado que as das fêmeas, que possuem mais formato de domo.

   Esta população foi extremamente explorada por marinheiros nos últimos dois séculos e por extenso abate no final dos anos 1950 e 1960 por funcionários de empresas de gado com base no Iguana Cove. Até o início de programas de erradicação dos animais invasores, praticamente todos os ninhos e filhotes foram destruídos por ratos pretos, porcos, cães e gatos. Programas de reprodução em cativeiro conseguiram recuperar a população dessa subespécie com sucesso, hoje estima-se uma população de 2.574 indivíduos.


   A Chelonoidis nigra nigra Quoy & Gaimard, 1824, sinônimo de Chelonoidis nigra galapagoensis (Baur, 1889), também são conhecidas como Tartaruga gigante de Floreana ou Charles devido habitarem a ilha Floreana ou Charles Island. Essa subespécie hoje encontra-se extinta.

   Essa subespécie era anteriormente muito abundante em sua ilha, mas foi fortemente explorada devido elevada quantidade de navios que frequentavam a ilha por causa da instalação de uma colônia penal no século XX. Darwin em 1835 observou que as tartarugas eram o principal item alimentar na colônia de Floreana. Relatos antigos mencionavam que "em apenas 2 dias de caça de tartarugas, conseguiam encontrar comida para os outros 5 dias da semana". Porém apenas 3 anos depois, não se conseguia mais encontrar tartarugas soltas na natureza e em 1846, elas já estavam sendo declaradas extintas.

   Descrições da subespécie de Floreana são baseadas em material esquelético de indivíduos que caíram em buracos formados por tubos de lava e morreram. No entanto, um estudo realizado em 2008, que pesquisava o DNA mitocondrial em espécimes de museu, levou a encontrar alguns genes dessa subespécie de Floreana em uma subpopulação de híbridos existente na Ilha Isabela. Essa pesquisa recente descobriu mais de 80 híbridos de C. n. nigra entre tartarugas de Isabela, sendo ainda necessário maiores estudos para verificar a possibilidade de haver cerca de 38 descendentes puros dessa subespécie de tartarugas de Floreana, que teriam sido transportados por baleeiros no passado. Teoricamente, um programa de melhoramento genético poderia ser estabelecido para "ressuscitar" a raça pura de Floreana a partir desses híbridos. Usando seleção assistida por marcadores , para uma população de reprodução em cativeiro , estima-se que o projeto iria durar um século.


    A Chelonoidis nigra phantastica (Van Denburgh, 1907), talvez habitasse a ilha Fernandina, seu "phantastica" significa produto da fantasia ou imaginação, pois foi encontrado por membros de uma expedição da Academia de Ciências da Califórnia em 1906, apenas um exemplar macho dessa subespécie e já estava morto. Foram descobertos também alguns excrementos de tartarugas em 1964. No entanto, não foram encontrados outras tartarugas ou mesmo restos em Fernandina, surgindo então a teoria de que esse macho solitário poderia ser uma tartaruga perdida originária de outras ilhas. Fernandina é a mais primitiva das ilhas e não possuí condições de sustentar uma população de tartarugas. Se C. n. phantastica foi, de fato, uma verdadeira subespécie, então ela é a única a ser extinta por meios naturais.


    A Chelonoidis nigra phantastica Rothschild, 1902, foi uma subespécie conhecida a partir de apenas uma amostra. Foram encontrados rastros de tartarugas em Rábida, em 1897, e um único indivíduo foi removido pela Academia de Ciências, em 1906. Mas não há registros de caçadores de baleias e nem outros navios fazem qualquer menção de recolher tartarugas em Rábida. Rábida tem uma boa área, porém sem vestígios de uma população sustentável, talvez tartarugas de outras ilhas se perderam temporariamente nesta ilha. O espécime de C. n. wallacei, indivíduo no qual a raça foi nomeada, na verdade, tem uma proveniência desconhecida. Foi apenas atribuído a Rábida, porque se assemelhava a descrição de uma retirada ocorrida em 1906.

   Existe uma subespécie teórica de origem atribuída a ilha de Santa Fé, baseada em 2 registros de baleeiros sobre a remoção de tartarugas e de dois relatos de testemunhas oculares, moradores das ilhas, sobre a remoção de tartarugas dessa ilha em 1876 e 1890. Esses relatos, porém, foram informados apenas 15 e 30 anos após a ocorrência. foram encontrados ossos antigos por outras expedições, mas sem fragmentos de carapaças, que é a parte mais durável de um esqueleto de tartaruga, lançando fortes dúvidas sobre a validade desta subespécie que ainda não foi nomeada.


   O Arquipélago de Galápagos originou-se de uma série de erupções vulcânicas há cerca de 30 milhões de anos atrás, desde então diversas espécies vegetais começaram a habitar as ilhas, passado algum tempo as ilhas já suportariam vida animal de grande diversidade, acredita-se que algumas foram introduzidas por acaso, acidentalmente, pois algumas espécies animais são parentes próximas das espécies existentes nos continentes sul-americano, como as iguanas terrestres e marinhas de Galápagos, as aves marinhas e finalmente as Tartarugas Gigantes de Galápagos. Elas possuem um parentesco bem próximo com as tartarugas sul-americanas Jabuti Tinga, Jabuti Piranga e a Tartaruga do Chaco, sendo esta última, uma das menores da família chelonoidis, sua parente mais próxima, pois acredita-se em duas teorias, uma de que essas pequeninas tartarugas poderiam ser facilmente transportadas por balsas (troncos, galhos e outros restos vegetais flutuantes) para as ilhas de Galápagos; e outra de que enormes tartarugas gigantes continentais, parentes dessas pequeninas, tenha chegado as ilhas de Galápagos nadando; de qualquer maneira, os antepassados das tartarugas gigantes de Galápagos percorreram mais de 1000 km de distância, diversas vezes e em épocas diferentes, dando assim origem as diversas populações e subespécies de Tartarugas das ilhas, que são hoje uma das maiores representantes da Ordem Chelonia.

Dados do Quelônio:
Nome: Tartaruga Gigante de Galapagos
Nome Científico: Chelonoidis nigra
Época: Holoceno
Local onde Vive: América do Sul
Peso: Cerca de 317 quilos
Tamanho: 1,80 metros de comprimento
Alimentação: Onívora

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Testudines
Família: Testudinidae
Gênero: Chelonoidis
Espécie: Chelonoidis nigra Günther, 1878.