Tartaruga Gigante do Amazonas                                            

   A Tartaruga Gigante do Amazonas ou Tartaruga da Amazônia que também é conhecida como jurará-açu, araú as fêmeas, capitari ou capitaré os machos e aiuçá os jovens em tupi-guarani ou em inglês Giant Amazon River Turtle ou em espanhol Tortuga Arraú. São os maiores quelônio de água doce da América do Sul, podendo atingir pouco mais de 1 metro de comprimento ( a média dos animais adultos encontrados é de 75 centímetros ) e pesar 60 quilos, o que resulta em um animal muito grande e pesado, quando fora da água torna-se uma presa fácil para grandes predadores como as onças que também habitam sua região natural de ocorrência. PAra atingir esse enorme tamanho essa espécie utiliza-se de uma das maiores taxas de crescimento entre os quelônios, chegando a medir 46 centimetros em apenas 8 anos.
   Essa região natural abrange o norte da América do Sul, nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco, compreendendo os países Brasil, Colômbia, Venezuela, Guiana, Equador, Peru, Bolívia e nos estados de Goiás e Mato Grosso em rio s pertencentes a bacia hidrográfica do amazonas.
   Os machos são menores que as fêmeas, não ultrapassando os 50 centímetros de comprimento de carapaça e 25 kg, suas caudas são maiores e mais largas que a das fêmeas, quando jovens a cabeça paresenta manchas amarelas na escama interparietal, ambos possuem dois barbelos amarelos no queixo.
   O gênero Podocnemis existe desde período Cretáceo e são encontrados vestígios fósseis na América do Norte, Europa, América do Sul e África, sendo que atualmente, esse gênero existe apenas em Madagascar (África) e na América do Sul, indicando ser bastante antigo, desde a época em que esses continentes ainda eram unidos.
   A alimentação das Tartarugas do Amazonas é a base de frutos, raízes, sementes e folhas de plantas arbóreas e herbáceas, bem como de crustáceos, moluscos e pequenos peixes.

    A fase de desova tem início em setembro e vai até dezembro, nessa época as tartarugas se orientam pelo sol e sinais locais para encontrar o local de desova, após encontrar o local de desova elas ficam em repouso no leito do rio durante 4 a 5 dias observando a praia de dentro da água, as fêmeas realizam 5 a 6 visitas a praia para reconhecer o local de desova durante a noite, sem desovar, verificando os possíveis pontos de abertura da cova e formação dos ninhos, após esse processo durante a noite inicia-se o processo de desova, onde as fêmeas retornam as praias e começam a cavar os buracos para desova, cuja profundidade está relacionada com o lençol freático variando naturalmente de 0,63 ± 0,27 m, onde são depositados cerca de 50 a 300 ovos, de forma esférica, com peso médio de 39 a 43 gramas, que serão cobertos com areia, pela fêmea, após a desova. A oviposição pode durar de 1,5 a 4 horas, aproximadamente, sendo geralmente à noite e, ocasionalmente, à tarde ou de manhã. Os ovos eclodem após 40 a 80 dias de incubação, sendo normal a postura de ovos mais de uma vez por ano.
   Segue um resumo descritivo das fases reprodutivas da Tartaruga Gigante do Amazonas:
   Fase 1: Assoalhamento – essa etapa caracteriza-se pela agregação dos animais em águas rasas, com subidas ocasionais na margem da praia de desova para exporem-se aos raios solares.
   Fase 2: Subida à praia para a escolha do local da desova.
   Fase 3: Caminhada de Reconhecimento – nessa fase os animais sobem a praia e exploram o tabuleiro à procura de um local de postura.
   Fase 4: Escavação – a primeira atividade é a limpeza da areia solta com o auxílio das quatro patas, girando em torno de si mesma. Quando atinge a profundidade de 30 a 40 cm passa a usar as patas traseiras até que seu corpo atinja uma posição de 45° a 60° em relação à horizontal, depois da cova atingir a profundidade final de 30 a 83 cm dependendo do tamanho da fêmea, com média de 56,5 ± 37,476 cm inicia a construção de uma câmara.
   Fase 5: Postura – nessa fase as tartarugas não mais se importam com a presença de estranhos e podem ser tocadas sem reação. O valor adaptativo da estereotipia durante a oviposição de P. expansa está relacionado ao sucesso da estratégia evolutiva dessa espécie. A evolução da eficiência crescente da técnica estandardizada da postura de ovos resulta numa taxa de reprodução melhor como conseqüência dos trabalhos musculares de tal maneira a uniformizar o processo de oviposição, independente da experiência ou aprendizado. O corpo do animal move-se para frente e para trás e também executa uma lenta rotação para a direita e a esquerda. Quando aumenta a profundidade, as patas traseiras têm mais ação. Com as unhas para baixo, uma pata é inserida na câmara de postura, em escavação, fazendo pressão para o fundo e com uma ligeira rotação modela a forma e tamanhos exatos da câmara, com 13 a 18 cm de altura e diâmetro de 20-25 cm. A câmara é feita a uma profundidade de 50 a 100 cm. Durante esse processo, as patas dianteiras ajudam na sustentação do animal. O ato é repetido, inserindo a outra pata na abertura da câmara de postura. Assim que ela estiver pronta, com o ovipositor inserido e o corpo cobrindo a cavidade de postura, inicia-se a oviposição. Cada fêmea deposita um ovo a cada 10 a 15 segundos. Durante a postura, o pescoço da tartaruga, se mantém esticado formando junto com a cabeça um ângulo igual ao do corpo em relação à horizontal. Há contrações peristálticas a cada 10 a 15 segundos seguidas de liberação de ovos e líquidos.
   Fase 6: Cobertura dos ovos – assim que começa a escavação os animais entram num processo de ritualização do comportamento, com grande teor de estereotipia, fazendo movimentos lentos no corpo para a direita e a esquerda, colhendo areia com as patas dianteiras e traseiras, alternadamente. Em geral, a carapaça, cabeça e os olhos ficam cobertos de areia lançada durante o fechamento da cova.
   Fase 7: Retorno à água – quando a tartaruga termina a cobertura dos ovos, normalmente faz uma trilha formada de secreção mucóide que escorre da “cloaca” ao caminhar. A cauda posiciona-se para trás, rastejando a ”cloaca” ainda em contração, sendo uma indicação da postura realizada (marca da cauda arrastada entre as pegadas). A caminhada para a água é lenta devido ao cansaço, caminhando 3 a 4 metros em média até a água. As patas traseiras podem sangrar devido ao atrito com a borda da carapaça, assim como na parte posterior da carapaça durante a escavação. Após retornar à água, a população adulta permanece nas cercanias da praia até o nascimento dos filhotes. Na época próxima à eclosão os adultos ficam cada vez mais difíceis de serem vistos próximos da praia. Os ovos de Podocnemis expansa ficam incubados de 40 a 80 dias, sendo em média 55 ± 21,21 dias e apresentam uma taxa de fecundação de 85 a 98%, desde que permaneçam em equilíbrio a umidade e temperatura na câmara de incubação, pois a temperatura, umidade e as concentrações de oxigênio e dióxido de carbono podem exercer efeitos profundos sobre o desenvolvimento embrionário das tartarugas. A temperatura do ninho afeta a taxa de desenvolvimento embrionário e temperaturas excessivamente altas ou baixas podem ser letais. A determinação do sexo é dependente da temperatura, sendo a temperatura pivotal ou de inversão do sexo é de 34°C, abaixo dessa temperatura nascem mais machos que fêmeas e acima dela nascem mais fêmeas que machos, sendo essa temperatura importante para a determinação do sexo apenas na passagem do primeiro terço para o segundo terço do desenvolvimento embrionário, o sexo dos embriões depende da temperatura a que ficam expostos durante essa semana, após esse período a temperatura somente influência no tempo de incubação. Quando os ovos são expostos a um ciclo diário de temperatura, o ponto mais alto do ciclo é o mais crítico para a determinação sexual, com a temperatura podendo diferir entre o topo e o final do ninho. Entretanto, em condições úmidas, produzem filhotes maiores do que em condições secas, provavelmente, por que a água é necessária para o metabolismo do vitelo (reserva nutritiva do embrião até a eclosão). Quando a água é limitada, as tartarugas eclodem mais cedo e com tamanho corporal reduzido e o seu intestino contém uma quantidade de vitelo que não foi utilizado durante o desenvolvimento embrionário.
    Em casos de incubação artificial a retirada dos ovos dos ninhos deve ser feita cuidadosamente durante as primeiras horas depois da desova, a manipulação e a rotação dos ovos pode ser feita, mas após decorrido mais de 8 horas recomenda-se colocá-los na mesma posição em que foram encontrados, caso o contrário poderá levar o embrião a morte.
   As tartarugas do amazonas, por serem pecilotérmicas, apresentam amplitude térmica de 22ºC a 32ºC, e ideal entre 27ºC a 30ºC, na qual eclodem as crias medindo em torno de 50 mm de comprimento e 40 mm de largura. A atividade espontânea de alguns indivíduos põe o grupo em movimento, uns rastejando sobre os outros, agindo e estimulando sobre os demais. Todos os filhotes saem do ninho num período muito curto e todos, de diferentes ninhos, deixam os ninhos numa mesma noite, talvez porque seu comportamento seja estimulado. Sendo as tartarugas auto-suficientes ao nascer, as interações entre os filhotes são essenciais para permitir que abandonem o ninho. Os sinais podem ser sonoros, táteis, visuais ou olfativos. Essa emergência simultânea é uma característica importante para a reprodução. Nessa fase, os animais jovens estão propensos à agressão em decorrência do equilíbrio biológico imposto pela natureza. A ação dos animais aquáticos ou aves silvestres sobre as crias chega a 80% de predação, sendo os principais predadores urubus, jacarés, peixes e lagartos.
    Esta espécie está classificada como Baixo Risco, dependente de conservação e está na Lista Vermelha da IUCN de 2004 e no Apêndice II da CITES.

    Esta espécie possuí grande longevidade podendo atingir mais de 60 anos e continua crescendo ao longo de toda a vida.

Dados do Quelônio:
Nome: Tartaruga Gigante do Amazonas, Tartaruga da Amazônia
Nome Científico: Podocnemis expansa
Época: Holoceno
Local onde Vive: América do Sul
Peso: Cerca de 70 quilos
Tamanho: 1,1 metros de comprimento e 60 centimetros de largura
Alimentação: Onívora


Filo: Cordados
Sub-Filo:Vertebrados
Super-Classe:Tetrápodos
Classe:Répteis
Sub-Classe:Anapsida
Super-Ordem: Quelônios
Ordem: Pleurodira
Família: Podocnemidae
Gênero: Podocnemis
Espécie: Podocnemis expansa (Schweigger, 1812)

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