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Tartarugas Marinhas


Tartarugas marinhas - Tartarugas AVPH

   As Tartarugas marinhas pertencem a família Cheloniidae que é constituída por apenas 6 gêneros e 7 espécies, sendo todas elas ameaçadas de extinção. Sua anatomia bem adaptada a vida marinha, quase não apresentou modificações no últimos 110 milhões de anos. Apresentam um ciclo de vida complexo, utilizando diferentes ambientes em cada estágio e mudando constantemente seus hábitos. Ao nascerem direcionam-se imediatamente para o mar, onde buscam áreas de convergência de correntes que formam verdadeiros ecossistemas compostos de grandes aglomerados de algas, sargaços e matéria orgânica flutuante. Nestas áreas as tartaruguinhas encontram alimento, abrigo e proteção, permanecendo nestes ambientes durante longos períodos a deriva pelos oceanos. Na fase juvenil, algumas espécies podem permanecer no ambiente pelágico, como a tartaruga de couro (Dermochelys coriacea), outras espécies costumam migrar para regiões costeiras ou insulares, alimentando-se de organismos bentônicos.

   A maturidade sexual é atingida entre os 20 a 30 anos de idade, no caso em particular da Tartaruga oliva (Lepidochelys olivacea) a maturidade sexual é atingida entre 11 e 16 anos de idade. Após atingida a maturidade sexual as fêmeas sempre regressam às praias onde nasceram para desovar na areia, sendo extremamente fiéis ao local de nascimento e não nidificando em outras praias. As posturas da Tartaruga de Kemp por exemplo, ocorrem em uma única praia na costa do México. Os machos são menores que as fêmeas e eles possuem uma cauda mais comprida e larga que as das fêmeas. As nadadeiras dos machos possuem resquícios das garras proeminentes que auxiliam o agarrar na carapaça da fêmea para efetuar a cópula.

   As tartarugas marinhas habitam quase todos os oceanos em áreas de água tropical e subtropical. O único ambiente ao qual não se adaptaram foram as águas geladas dos pólos. A maioria das espécies são migratórias e vivem nadando pelos oceanos, orientando-se com a ajuda do campo magnético terrestre. O acasalamento das tartarugas marinhas ocorre tanto em águas profundas no oceano quanto em regiões costeiras de baixas profundidades, sendo muitas vezes próximas às áreas de desova. Quando o casal se encontra, inicia-se o processo de namoro, com o macho efetuando leves mordidas no pescoço e nas nadadeiras. No momento em que a fêmea estiver pronta, o macho agarram-se a carapaça dela utilizando as longas garras das nadadeiras anteriores e posteriores. Esse processo pode durar várias horas, durante esse período, outros machos disputam o direito ao acasalamento tentando derrubar o macho que esteja em processo de cópula, podendo até reunir diversos machos (2 a 8) disputando a mesma fêmea. Se um dos machos conseguir separar o casal, outro pode assumir a posição de cópula e dessa forma uma mesma fêmea pode ser fecundada por vários machos. A fecundação é interna, sendo realizada pelo posicionamento da cloaca do macho junto a da fêmea e a introdução do órgão genital do macho auxiliado pela longa cauda que age como facilitadora nessa processo. No Atol das Rocas ocorre com elevada frequencia a cópula de Tartarugas verdes (Chelonia mydas).

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   A desova ocorre nos períodos mais quentes do ano, sendo controlada principalmente pela temperatura das águas. No litoral brasileiro, ela acontece entre os períodos de setembro a abril, variando dependendo da espécie. Nas ilhas oceânicas, a desova ocorre entre dezembro a junho. As fêmeas geralmente procuram praias desertas na região onde nasceram e normalmente esperam o anoitecer, pois a escuridão as protege de perigos e predadores e evita o desgaste pelo calor excessivo da areia durante o dia. A região da praia escolhida geralmente é um trecho livre da ação das ondas e marés, onde é construída a cama e o ninho. Com o auxilio das nadadeiras anteriores, removem grande quantidade de areia, aplainando um espaço de cerca de 2 metros de diâmetro, dependendo do tamanho da fêmea. Este local criado pela fêmea é chamado de cama e servirá para iniciar a confecção do ninho. Durante este processo a fêmea avalia a temperatura, umidade entre outras características do local, se elas não forem adequadas, as fêmeas as abandonam e constroem outras camas, podendo repetir esse processo várias vezes até encontrar o local adequado para confeccionar o ninho onde colocará os ovos.

   Encontrando o melhor local, é feita a cama e em seguida iniciada a construção do ninho com o auxilio das nadadeiras posteriores. O ninho consiste em um buraco com cerca de 0,5 metros de profundidade por 0,5 m² de área, variando de acordo com a espécie. Cada fêmea pode realizar de 3 a 13 desovas em uma mesma temporada de reprodução, onde cada ninho contém em média 120 ovos, com intervalos que variam entre 9 e 21 dias, novamente esses dados variam de acordo com a espécie. Os ovos são esféricos e possuem uma fina camada de casca calcária, com tamanho variando entre 4 a 5 centímetros de diâmetro.

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   Após a postura, as fêmeas camuflam o ninho e voltam para o mar. Inicia-se então a incubação dos ovos, este processo varia entre 45 e 60 dias, sendo o responsável pelo desenvolvimento dos embriões dentro dos ovos a transmissão de calor pela areia que é aquecida pelo sol. A determinação do sexo das tartaruguinhas é realizada pela temperatura de incubação, onde temperaturas elevadas acima de 30ºC produzem mais fêmeas e temperaturas abaixo de 29ºC produzem mais machos. A média da temperatura indica se o clima está favorável ou não ao desenvolvimento da espécie, temperaturas mais altas pressupõem melhores oportunidades, maior oferta de alimentos e para aproveitar essas oportunidades, gerar uma quantidade maior de fêmeas, levariam a uma maior quantidade de descendentes no futuro, pois um macho consegue facilmente acasalar com 3 a 5 fêmeas.
   Os filhotes nascem independentes medindo entre 3,5 a 4,0 centímetros de comprimento de carapaça, emergindo em conjunto de forma sincronizada. Eles iniciam o processo de saída dos ninhos retirando a areia até alcançarem a superfície, em seguida correm em grupo para o mar. Essa saída do ninho ocorre na maioria das vezes durante à noite, sendo estimulado pela queda de temperatura da areia, pois nesse momento as chances de serem atacados por predadores são menores (aves marinhas, peixes, polvos, lulas, lagartos, caranguejos, siris, cães e homens). Eventualmente, em dias nublados ou chuvosos, os nascimentos costumam ocorrer durante o dia devido a queda de temperatura da areia. Assim que emergem da areia, os filhotes se orientam pela luminosidade do horizonte para chegar ao mar. Estima-se que apenas 1 em cada 100 tartaruguinhas consiga atingir a idade adulta.

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   Os principais alimentos das tartarugas marinhas são peixes, lulas, polvos, águas vivas, camarões, medusas, siris, caranguejos, esponjas e algas dependendo muito da espécie. Para encontrar esses alimentos utilizam de seus sistemas de audição e visão que são bem desenvolvidos. Mesmo assim elas não conseguem diferenciar facilmente águas vivas de sacos plástico e acabam ingerindo esses plásticos e morrendo então engasgadas ou com problemas intestinais. Reduzindo assim a expectativa de vida dessas tartarugas que podem ultrapassar os 120 anos de idade.

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   A sobrevivência das tartarugas-marinhas continua em risco, seus principais predadores naturais são tubarões e orcas, porém o que mais ameaça é a caça intensiva pela sua carapaça, carne e gordura, que eram muito apreciadas no passado. Até os séculos XVII e XIX, foram bastante abundantes nos ambientes marinhos tropicais e subtropicais, porém as épocas das grandes navegações se utilizaram fortemente dessas tartarugas como fonte de alimento. Atualmente a caça está controlada, em 1980 no Brasil se iniciou o Projeto Tartaruga Marinha (Projeto Tamar). Esse trabalho iniciou com um estudo realizado pela costa brasileira que durou cerca de 2 anos, identificando as espécies, os locais de desova, alimentação, distribuição e problemas enfrentados pelas espécies de tartarugas marinhas. Diante deste levantamento foram adotadas estratégias para a proteção dessas espécies, como proteção das áreas de desovas, transferências de ninhos para locais seguros, marcação de fêmeas em desova para estudos, etc. Tornando possível verificar que as mesmas fêmeas retornavam às praias para desovar todos os anos, o intervalo de tempo que demoravam entre uma desova e outra, entre outras descobertas. Entretanto as tartarugas marinhas continuam ameaçados pelas redes de pesca que matam cerca de 40.000 tartarugas por ano. Outras ameaças principais são: a destruição de habitats de reprodução, desova, descanso e alimentação, e a contaminação dos mares, atrapalhando o ciclo de vida e dificultando a proliferação da espécie, levando assim ao risco de extinção.

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História Evolutiva
   Acredita-se que as tartarugas marinhas surgiram durante o período Jurássico, a partir de tartarugas de água doce. Ao longo de seu processo evolutivo, surgiram várias modificações que permitiram a sobrevivência e adaptação das tartarugas a novos ambientes, como o número de vértebras que foi reduzido, fusionaram-se as costelas e formaram-se carapaças de revestimento coriáceo ou córneo. Enquanto algumas espécies permaneceram vivendo em terra, outras buscaram a água doce ou migraram para o mar buscando melhores oportunidades. No caso das tartarugas marinhas, a carapaça tornou-se mais achatada, ficando mais leve e hidrodinâmica, e as patas transformaram-se em nadadeiras para moverem-se com mais eficiência debaixo d’água. Outra importante adaptação foi o surgimento de glândulas de sal, localizadas próximo aos olhos. As lágrimas observadas em fêmeas em reprodução são, na verdade, secreção de sal expelida através destas glândulas especiais. O fóssil de tartaruga marinha mais antigo que se conhece data de aproximadamente 180 milhões de anos atrás. Um dos registros mais antigos de tartaruga marinha no mundo é datado de aproximadamente 110 milhões de anos atrás, pertencente à espécie Santanachelys gaffneyi (Protostegidae), encontrado no interior do Ceará, no município de Santana do Cariri, na Chapada do Araripe. O maior fóssil de tartaruga marinha já encontrado pertence à espécie Archelon ischyros, também da família Protostegidae, medindo cerca de 4,6 metros de comprimento de carapaça e pesando entre 1,5 a 2,0 toneladas, do Cretáceo há aproximadamente 75 a 65 milhões de anos atrás. Durante o período Cretáceo, existiam 4 famílias de tartarugas marinhas (Toxochelyidae, Protostegidae, Cheloniidae e Dermochelyidae) entretanto apenas 2 (Cheloniidae e Dermochelyidae) sobreviveram até a atualidade. Os gêneros e espécies existentes atualmente, surgiram apenas entre os períodos Eocênico e Pleistocênico, entre 60 e 10 milhões de anos atrás.

Classificação científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Reptilia
Subclasse: Eucryptodira
Ordem: Testudines
Subordem: Polycryptodira

   Famílias e Espécies de tartarugas marinhas e seus status de conservação:
Superfamília: Chelonioidea
Família: Cheloniidae => O termo tem origem no latim e significa "nadador" e representa as Tartarugas marinhas em geral, são caracterizadas por um crânio muito forte, presença de palato secundário, cabeça parcialmente ou não retrátil, presença de nadadeiras não retráteis cobertas por numerosas placas pequenas, com dedos alongados e firmemente presos por tecido conjuntivo, as garras são reduzidas a uma ou duas em cada nadadeira, a carapaça é recoberta por placas córneas, variáveis em número para cada espécie. São conhecidos e classificados 31 gêneros para esta família, entretanto apenas 5 possuem representantes no presente.

- Tartaruga cabeçuda ou Tartaruga mestiça, Caretta caretta (Linnaeus, 1758) - ameaçada.
- Tartaruga verde ou Aruanã, Chelonia mydas (Linnaeus, 1758) - ameaçada.
- Tartaruga de pente ou Tartaruga bico de falcão, Eretmochelys imbricata (Linnaeus, 1766) - criticamente ameaçada.
- Tartaruga de Kemp,Lepidochelys kempi (Garman, 1880) - criticamente ameaçada.
- Tartaruga oliva, Lepidochelys olivacea (Eschscholtz, 1829) - ameaçada.
- Tartaruga de casco achatado ou plano, Natator depressus (Garman, 1880) - ameaçada.
-* Tartaruga negra do Pacífico Oriental, Chelonia agassizii (Duvidosa, sendo classificada como subespécie de Tartaruga verde Chelonia mydas agassizii).

Superfamília: Dermochelyoidea
Família: Dermochelyidae => São caracterizadas por uma redução extrema dos ossos da carapaça e do plastrão, desenvolvimento de uma camada dorsal constituída de um mosaico de milhares de pequenos ossos poligonais, ausência de garras e placas na carapaça (as placas estão presentes até o estágio juvenil), o crânio não possui ossos nasais, a superfície da mandíbula é recoberta por queratina, um esqueleto repleto de gordura com áreas extensivas de cartilagem vascularizada nas vértebras e nas junções das nadadeiras, corpo muito grande. Apresentam uma modesta variação geográfica e provavelmente não existem subespécies. São de difícil fossilização devido a disposição em mosaico das placas ósseas da carapaça e a camada grossa de gordura entre a parte óssea e o “couro” de revestimento típico desta espécie.
- Tartaruga de couro marinha ou Tartaruga gigante, Dermochelys coriacea (Vandelli, 1761) - criticamente ameaçada.

Referências:
- HIRAYAMA, R. Oldest known sea turtle. Nature. v. 392, p. 705-708, 1998.
- LOHMANN, K. J.; WITHERINGTON, B. E.; LOHMANN, C. M. F.; SALMON, M. Orientation, navigation, and natal beach homing in sea turtles. In: Lutz, P.L. and Musick, J.A. (eds.). The Biology of Sea Turtles. Boca Raton, FL: CRC Press. p. 107–135, 1997.
- LU TCAVAGE, M. E. & LU TZ, P. L. Diving Physiolog. In: Lutz, P. L. and Musick, J. A. (eds.). The Biology of Sea Turtles. Boca Raton, FL: CRC Press. p. 277–296, 1997.
- LU TCAVAGE, M. E., PLO TKIN, P., WITHERINGTON, B.; LU TZ, P. L.Human impacts on sea turtle survival. In: Lutz, P. L.; Musick, J. A. (eds.). The Biology of Sea Turtles. Boca Raton: CRC Press. p. 387-409, 1997.
- LU TZ, P. L.; MUSICK, J. A. (ed.). The biology of sea turtles. Boca Raton: CRC Press. 432 p., 1997.
- LU TZ, P. L. Salt, water, and pH balance in the sea turtle. In: Lutz, P. L. and Musick, J. A. (eds.). The Biology of Sea Turtles. Boca Raton, FL: CRC Press. p. 343–361, 1997.
- PLANO DE AÇÃO NACIONAL PARA CONSERVAÇÃO DAS TARTARUGAS MARINHAS, INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE (ICMBIO), www.icmbio.gov.br, 2011.
- PRITCHARD, P. C. H. Evolution, phylogeny, and current status. In: Lutz, P. L. and Musick, J. A. (eds.). The Biology of Sea Turtles. Boca Raton, FL: CRC Press. p. 1–28, 1997.
- Projeto Tamar - Tartarugas marinhas, disponível em http://tamar.org.br/interna.php?cod=90.
- SPOTILA, J. R. Sea Turtles: a complete guide to their biology, behavior, and conservation. Baltimore: The Johns Hopkins University Press. 227p., 2004.
- TARTARUGAS MARINHAS, Projeto TAMAR, 1999.



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